segunda-feira, 20 de abril de 2009

carpideiras ao som de blues

Vinte anos depois
de estagnarmos de lagar
em alambique, aprenderemos
a ouvir a voz da alegria decepada
pela nortada
reconstruída fora de época.

Em cada gesto, a lentidão
do habituar – como tu gostas
de cantar – aos vales
infectados pela pródiga tristeza
dos alicerces humanos.

Eterno e inglório descontentamento
do lento cuspir
de mar
que nos lavrara os órgãos poluídos.

Chego de não ter traído a minha condição
para perceber,

finalmente, a corda unificadora
colar de letras até aqui – não há diferença
entre estar sentado no topo
ou dentro do mundo – cairemos
todos na tentativa de nos erguer.

Membros escarpados pelas lâminas
da inércia distractiva. Apenas
a morte nos fará
levantar todos da mesma maneira
para nos deitarmos a beijar
às carpideiras:

torneadas anunciantes da boa-nova.
******

pedro s. martins

3 comentários:

  1. cada vez aprecio mais a qualidade da tua poesia. um prazer desafiante.
    beijos

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  2. :)

    estou esgotado e de cabeça vazia.

    :)

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  3. propor um desafio é muito bom. curvas em vez de rectas.

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