terça-feira, 12 de maio de 2009

de ninguém

Dói-me a cabeça
de tanto engendrar
saídas airosas
deste pranto que trago
debaixo da língua.

São vagas de dor entremeadas
com o desfolhar
desta ilha fantasma a que outros
chamam coração.

Nascemos à distância de uma morte
e sei que não vou parar
de riscar os pés a perseguir
em desobediência à memória.

No final,
duas estátuas de carne a quem
faltou método para serem
doentes.
******

pedro s. martins

3 comentários:

  1. muito nostálgico, mas sempre com a qualidade que se conhece.

    beij

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  2. "Nascemos à distância de uma morte"
    Gostei muito.
    Um abraço.

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  3. obrigado. é bom saber dos que nos gostam.

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