sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ácido úrico



Trocaste-te o nome por nome de falecido,
Penduras-te a gabardina nas costas de um filho
Julgando que era cão à espera que fosse
Cabide.
E bebericas mais Dimple.

Chamas a mulher pelo nome da amante,
Porque nem pelo cheiro;
Casa;
Feições;
Voz;
Percebeste estares na
Mentira errada. Sentaste-te no ar e acabas
A ferrar a carpete.

E bebericas mais Dimple.

Perguntas as horas ao copo e julgas
Ouvir a resposta da garrafa. O silêncio de
Quem assiste à peça soa-te a
Três e meia; quatro e um quarto; nove para
As dez.

E bebericas mais Dimple.

Ando de baloiço na tua bílis e ela sussurra-me
Que te vai presentear com
Um batido de fígado a ferver em sangue
À boca. Dar-te a provar o lado B do vício.

E bebericas mais Dimple.

Já ninguém te vê pessoa. Já ninguém te enxerga além
De
Ser cego atrás da penumbra cirrose.

Beberica mais Dimple, olha para trás
E vê o
Rasto de dignidade
Que foste
Pingando da vida.
******

pedro s. martins

7 comentários:

  1. Este seu poema é mesmo "ácido" e verdadeiro...e a vida pode ser diferente se quisermos...

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  2. Olá!

    Vi o seu email e resolvi te visitar. parabens, o blog ficou muito bacana!

    beijos!

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  3. Muito bem conseguido pedro... Estive a ler algumas das tuas coisas e fiquei agradavelmente surpreendido. Vou continuar a passar ;)

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