terça-feira, 20 de janeiro de 2009

do brincar


angela berlinde

És colaboração indecente na

minha estadia anémica,

pernoitando nosso passado. Toda a luz

numa só curva da memória

cardada. Todo o amo

num sôfrego olhar clandestino.


Indultar é pouco para o que me

vogas da carruagem nocturna –

Voo da despida;

Aterragem trilhada

à

chegada –


Sou o súbito fechar,

palma

da eternidade deslumbrada

em fotogramas silenciosos. És

as vogais lentas do regresso

a nós.


Quem me dera a nudez

reconhecida do quente passar

das tardes do ser

nítido.


Chegámos ao fim da condição

humana e tu

sem apareceres. Alegrava-me conhecer-te

imortalizada numa música.

Ao terceiro minuto veria o teu rosto

de olhos fechados

por ti.

******


pedro s. martins

5 comentários:

  1. sempre em música se revê também quem mais se gosta. ou não. são notas soltas em claves de sol. porque não? assim se ama.

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  2. Pedro,

    Como está no diccionário aí de Portugal "estadia"?
    Eu cá no Brasil aprendi que estadia aplica-se a veículos como embarcações.
    Para pessoas, usa-se "estada".
    Digo a fim de colaborar no aperfeiçoamento do teu poema. Assim, quando tu fores publicá-lo em papel, já sai ok.
    Sim, a infância, a música e a dança são o eterno-fragmentado. Teu compatriota Fernando Pessoa disse: "Mas o melhor do mundo são as crianças, a música e as danças.". E o brasileiro Paulo Leminski seguiu parecer semelhante: "Abrindo um antigo caderno, foi que eu descobri: antigamente eu era eterno.".

    beijó(K)awanami

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  3. ivone,

    mas é precisamente isso que o poema diz:

    “Alegrava-me conhecer-te
    imortalizada numa música.”

    Ama-se sem se ter a pessoa. Ama-se as memórias que ela espelha por aí.



    Marcos, sim, acho que também poderia ter usado estada.


    (estadia


    s. f.,
    estada;)

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  4. Visitando seu blog...
    Voltarei mais vezes. Gostei!

    Boa semana pra ti,
    bjos.

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