terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Rui Nunes - Rostos


rui nunes

treme,

e há o calor da tremura: o conforto da febre,

as mãos aconchegam-se debaixo dos braços, nessa casa ter-

minal


a rua é íngreme, entre paredes e olhos, e o rio para que dá é

outra rua clara,

do cimento do muro, erguem-se os galhos das videiras impe-

netráveis. De gestos. De tinta. De ira.

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rui nunes - Rostos, Relógio d'Água


6 comentários:

  1. Tive de ler 3 vezes; minha razão não captou, mas minha intuição sentiu a iminência da Morte: a alusão ao Rio do Barqueiro Sombrio, que enfim é "outra rua clara" - o Céu da ressureição católica.
    Complexo. Profundo. Assumo meu débil vigor mental para apreciá-lo como merece.

    beijó(K)awanami

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  2. Neste momento também me ocorre a tremura por sofrimento...
    Beijos prometidos

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  3. Rui, obrigado por sua visita.
    Já coloquei o seu blog dentre os que estou acompanhando. Parabéns pelo seu trabalho.

    Um abraço,

    Pedro.

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  4. o estado febril poedrá ser reconfortante sem dúvida. ou não. dependendo da casa onde se mora. levar_nos_á até ás águas mornas do rio ou conduzir_nos_á até ao topo da terra.

    antes assim do que sete palmos e meio debaixo da erva.

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  5. Pedro,

    então chama-me Rui?

    Também sou Pedro.

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  6. Trememos de encontro ao vento
    E trememos de encontro a brisa.

    Lá longe, grita um lamento:
    "No hay alegrias ni hay sonrisas!"

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