domingo, 18 de janeiro de 2009

pó de anjo

Viver-te é ser actor residente num

teatro com um palco do tamanho

da vida e algumas

cadeiras preenchidas.


Enquanto houver tempo


(enquanto me deres tempo)


encenarei uma peça de baixo

orçamento. Os adereços não

serão muitos e o actor recrutado

a uma companhia menor.


Cai o pano estrela suave no desamor

corrompido da estreia.


Cai a estrela no pano e vivo.


Sai o actor de cena para ir

inspirar o pó de anjo (que pode ser droga). E delira.


Delirarmos em conjunto é abraçarmos

a senilidade como um bem

conjunto.


Abraço-a e dou-lhe um beijo enamorado do

s até ao e.


Sempre fui uma pessoa mais dada à dança

e a minha são estes versos. Amanhã serei

outro.

******

(poema apanhado do lixo)

pedro s. martins

13 comentários:

  1. Pedro,

    Não pega bem para ti fazer apologia de droga.
    Eu sei que é o tal do Eu Lírico quem fala no poema, mas às vezes o público entende mal, e pode pensar que tu és um viciado.

    beijó(K)awanami

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  2. Discordo Marcos e não leves a mal!

    A alusão à palavra "droga" transmite o vício da paixão, partilhada ao expoente da procura dos corpos, reflecte a sede com que muitas vezes esperamos "a próxima cena"...

    Gostei! E o toque "encenarei uma peça de baixo

    orçamento." está muito lindo (belo lixo tens tu!!!)

    Beijo.

    Nina

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  3. Amigo Pedro. Recebi teu convite para teu cantinho visitar. Ainda não o explorei pq estou num vapt vupt domingueiro, assim, impressão não posso passar. Mas aqui estive, com certeza ainda hoje voltarei, após encerrar a saga do final de semana. De momento, deixo meu beijo n'alma e um plim plim de sorriso pra tu....

    lady sereia

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  4. Eu não disse que Pó de Anjo era uma droga.

    Angel Dust é o nome dado a uma droga. Também pode ser uma banda, ou até o título do quarto álbum dos Faith No More.

    Quem está retratado no poema pode-se referir a uma destas coisas.

    Cada um interprete como quiser.

    Nem eu posso falar por “ele”.

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  5. Um pouco "fortes" os poemas que tal ser mais optimista? A nossa vida é sempre um reflexo do que pensamos. Pense nisto

    Obrigado pelo e-mail convite. Por certo passarei por cá

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  6. Se esse foi apanhado do lixo... acho que o teu caixote é uma mina de inspiração.
    Beijos

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  7. mariab,

    este e o que o precedeu estiveram no limbo antes de serem publicados.


    Beijos

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  8. Pô, Pedrão,

    Agora eu apreendi a metáphora! Dona Nina deu-me o hint; reli o denso poema, e desfrutei toda Arte com A maiúsculo que nelle há.
    Retrata um drama, não tragédia, um drama angustiante, mas de happy-end. Bello, maestro!
    Contudo, vale lembrar-te que o vulgo mormente não aparta autor de eu-lírico, e, amiudando-se as excentricidades na retórica, tende teu público a tornar-se um tanto restricto ao círculo literário. Digo por experiência própria, para não sofreres os dissabores que eu sofri.
    Ah, sou amigo de uma portuense que vive no Rio de Janeiro desde os 9 anos: Maria Helena Cortez dos Santos (filha).

    beijó(K)awanami
    Satoru

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  9. Do teu lixo saem palavras limpas... ornadas de metáforas que tanto gosto. E "O mundo inteiro é um palco", certo?

    Que continuem as tuas representações.

    Encontramo-nos por aqui.

    Beijos meus.

    Graça

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  10. obrigada pelo convite
    gostei da peça, dos actores, do cenário

    aplaudi no final
    abraço
    luísa

    (só consegui comentar como anónima)
    http://pin-gente.blogspot.com

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  11. Simplesmente lindo. O amor é como uma droga. Viciante e desesperante sem ele.
    *****

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