domingo, 18 de janeiro de 2009

perónio



Contra a fissura do perónio

uma trovoada de medo. Sinto-o

a despedaçar-se dentro de mim.

Sinto-o a ser escavado e a espalhar-se

onde outrora era reinado de músculo

descontraído.


“Isto não vai doer nada.”

Pois não, já tinha doido tudo.


Quando se está assim, não

imaginam o ranger que faz

uma lâmina contra a pele

inocente.


Debaixo de um efeito, tudo é

vivido a meia-luz. Canta-se desfalcado

de um membro. Dorme-se e acorda-se

dentro da dor amante.


E na poça da anestesia o tudo são

silhuetas andantes de uma despedida

premeditada e de um regresso

que se quer agendado.


Somos trepadeiras cáusticas

numa vida hipotecada

em fracturas de perónios

e tíbias juvenis.

******

(poema apanhado do lixo)

pedro s. martins

2 comentários:

  1. A fragilidade dolorosa da condição humana, e a esperança da ressurreição?
    Corrija-me, por obséquio.
    Teus poemas são deveras sofisticados, hein, Pedrão?!
    Porra! Congratulações tupiniquins!

    beijó(K)awanami

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