terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

costura da dignidade

Da devassidão provocada pelo colocado
explícito no mundo, há uma provocação interina: a ambiguidade
do vício de fabricar vida insondável pelo azedume
comum dos mortais.

O luxo do talento temporal é cada vez mais comparável
às folhas do plátano – pulseira do pulmão
centrifugador
das matérias arteriais
fervilhantes cancerígenas apanhados
pela boca.

Há algo em mim, contorcionista de fôlegos,
a pedir
cobro à ressaca da humanidade. Impera por aí
a alucinação como forma de sobreviver por nós a nós.

Aliás,
a alucinação é uma arte com florescimento
em todos os vãos de humanidade.

Desatem os vossos orifícios receptores e dêem
vida ao iodo tranquilizante que vos corre nos
poros feitos pelo crivar dos dados anunciantes
da exacerbada prostituição de valores.

Morramos pela costura da dignidade.
******

pedro s. martins

10 comentários:

  1. Morramos pela costura da dignidade -
    Se ela, lógicamente, puder ser costurada.
    E sejamos todos enfim felizes
    Ou enfim infelizes,
    Sem mais meias verdades
    (Ou mentiras inteiras),
    Sem mais medo de nada.

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  2. que blog tao profundo e maturo! digno de um livro! eu ja escrevo coisas e de forma mais simples, mas aqui encontrei um talento nato. parabens ass gi

    www.ospoemasdagi.blogspot.com

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  3. Hum, pior é a politica como a sua "exacerbada prostituição de valores"...

    Fique com deus, Menino.
    Um abraço.

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  4. Porque tenho a impressão que as vezes teus versos são um grito de indignação? Escreve muito bem, mas há um furor dentro de si que precisa sair e de forma poética, falar das coisas que lhe provocam sentimentos intensos.
    um abraço e boa semana

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  5. a minha dignidade hoje se contentava em poder ser o que é deveras, pero...

    belíssimo texto, como sempre :)

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  6. contorcionista da tua alma abrupta,pungente...que poema-delírio !gostei.

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  7. e no fim,

    apenas queria que este blogue fosse uma clarabóia como tecto de uma caverna.

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